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Gestão pela qualidade na segurança pública – uma breve análise
Por: André Henrique de Deus Macedo (*)

Polícia Comunitária, Tecnologia da Informação e Inteligência Policial - três ferramentas que utilizadas de forma correta podem propiciar uma segurança pública de qualidade. As três buscam cada uma na sua qualificação a eficiência, a celeridade, a segurança e a satisfação. Seja ouvindo as pessoas, os dados ou o computador, o resultado pretendido é o mesmo. E se forem utilizadas entrelaçadas? Se o gestor se aproveitar das funcionalidades de cada uma e ao mesmo tempo colocá-las para conversar? Quais seriam os resultados?

 

Em momentos em que os recursos públicos são cada vez menos suficientes para fazer frente às demandas enfrentadas, os gestores devem buscar ferramentas que propiciem mais conhecimento, maior otimização e qualidade no contato com a comunidade. Esses procedimentos não significam que os recursos são desnecessários, longe disso. Significa que com a escassez destes temos que aplicá-los de forma correta com o menor desperdício e com os melhores resultados, para isso nada melhor que saber onde, como e por quê.

 

A Polícia Comunitária, filosofia de aproximação da polícia com a comunidade nos dá uma vantagem que é saber quais os problemas que mais a afligem e a partir daí estudar quais as causas que os fazem surgir ou aumentar, e buscar em conjunto com as pessoas, as melhores ações que possam atingi-los de forma definitiva e não apenas gastarmos recursos públicos e colocarmos nossos policiais muitas vezes sem a segurança adequada para agir de forma paliativa e repetitiva respondendo sem resolver o cerne da questão. Isso sem entrar no mérito da questão sobre a necessidade e importância da Polícia Militar prestar contas de suas atividades aos administrados.

 

A Tecnologia da Informação nos dá a capacidade de buscar soluções dentro dos números inicialmente frios, por meio de cálculos diversos que somente o computador possibilita. Esse processamento permite desenvolver sistemas inteligentes que otimizam tempo, pessoal e repetições. Possibilita relatórios que antes levariam meses e até anos para serem realizados e dentro desses relatórios propiciam ações corretivas que solucionam situações antes impossíveis. Essa administração é fundamental para melhor alocarmos nossos recursos quase sempre escassos. Sem falar em outros adventos tecnológicos úteis à segurança pública.

 

A Inteligência Policial auxilia entender cenários por meio de metodologia própria, que ao analisar dados disponíveis produzem conhecimentos que permitem que o gestor decida com mais certeza e garantia, minimizando erros e potencializando resultados satisfatórios. Além de permitir o desenvolvimento de uma cultura de proteção de dados sensíveis que são afetos à atividade de segurança pública.

 

Imaginem essas três ferramentas sendo utilizadas em conjunto?

 

A Polícia Comunitária é sem dúvida a alternativa mais barata e a mais democrática para a segurança pública. Focar os esforços dos agentes de segurança pública nos problemas que mais afetam a comunidade e mais que isso, chamar essa comunidade para participar das políticas públicas de segurança. Essa participação é a democracia em estágio puro.

 

O policial dentro dessa filosofia não deixará de exercer o seu papel constitucional, mas utilizará uma estratégia mais inteligente e eficaz. Legitimará as suas ações perante a comunidade e prestará o serviço com base naquilo que realmente interessa às pessoas. Para isso deve ser qualificado mais ainda que o policial tradicional, pois além de todas as competências profissionais necessárias (legais, técnicas e éticas), deverá assumir protagonismo durante a realização da sua atividade. Terá mais autonomia, iniciativa e, sobretudo responsabilidade.

 

A população sairá da posição de mera espectadora e reclamante para o papel de participação efetiva na proposição de políticas públicas para a área e diante disso passará também a ter mais responsabilidade, assim como manterá um controle mais efetivo sobre a atividade policial na sua localidade. Participação popular e prestação de contas são sinônimas de democracia.

 

A tecnologia da informação vem para revolucionar todas as atividades e não poderia ser diferente na segurança pública. Se for possível lançar mão de inovações tecnológicas e controles inteligentes para o exercício da atividade policial porque não aproveitar em beneficio dos policiais e em consequência da população. A TI gera mais segurança, celeridade e eficiência na prestação do serviço.

 

Seja controle de escalas, deslocamentos de viaturas, análise criminal, equipamentos de proteção individual, armamentos inteligentes, monitoramento de vídeo, estatísticas e bancos de dados, toda a forma de utilização de tecnologia para o aperfeiçoamento da atividade policial é válida, pois como já dito, garante mais segurança, celeridade e eficiência.

 

A atividade de inteligência não é exclusividade do governo. Hoje temos um forte desenvolvimento dessa atividade no meio empresarial, pois o produto da inteligência é o conhecimento e decide melhor quem conhece melhor.

 

A inteligência nada mais é do que a produção de conhecimento sobre determinado assunto a fim de municiar o usuário para que tenha condições de tomar decisões mais acertadas na sua área de atuação. Tendo assim mais chances de decidir com sucesso.

 

Determinada empresa que queira vender o seu produto em certo país, para obter êxito, primeiro seria necessário conhecer as necessidades do potencial consumidor a fim de melhor adaptar o produto ao cliente e assim ocupar o espaço no mercado de forma mais eficiente.

 

Na área de segurança pública o objetivo é transmitir e garantir segurança, tranqüilidade e bem-estar ao cidadão. Para ocorrer isso, o gestor em segurança pública deve conhecer o serviço que está prestando, a necessidade de serviços do cliente (sociedade) e os fatores adversos que atrapalham a prestação de serviços de forma eficiente e eficaz.

 

A segurança pública mexe com fatores objetivos e subjetivos e por isso, a sensação que o cidadão tem perante a segurança pode estar relacionada a fatos reais (crime) ou mesmo a possibilidades (medo). Por isso o serviço prestado nessa área deve trabalhar os dados concretos e também levar sensação de segurança ao cidadão.

 

Para isso é importante ressaltar que a prestação de serviço de segurança pública tem um viés peculiar dependendo da localidade em estudo. Não existe uma fórmula pronta para o gestor, pois deve ele a cada dia buscar novos conhecimentos sobre o cenário de atuação para melhor decidir. Aí entra a mescla polícia comunitária, tecnologia da informação e inteligência que visam justamente a levar um conhecimento mais apurado a quem decide, para que os resultados sejam satisfatórios, sem prejuízo de material e desgaste desnecessário de pessoal de dentro da maior segurança possível.

 

O gestor que abre mão ou mesmo dá pouco valor a essas ferramentas está fadado ao fracasso.

 

Diante disso, a inteligência, a tecnologia da informação e a polícia comunitária são importantes para produzir conhecimento a respeito das causas da criminalidade, facilitando assim o estudo científico do crime, o que propiciará mais subsídios para enfrentar esses fatores, atacando-os de forma mais eficiente e prolongada.

 

A divisão de efetivo não deve se basear em apadrinhamento e sim em questões técnicas pautadas por conhecimento produzido a respeito. Toda decisão do gestor deve ter a opção técnica descrita no conhecimento produzido sobre o assunto e a partir daí ele decide baseado em suas convicções técnicas, porém com a fundamentação adequada.

 

Não há melhor caminho para enfrentar essa realidade do que a existência de uma política de segurança pública voltada para a gestão pela qualidade. Não são admissíveis mais investimentos sem controle e planejamento apenas para dar respostas paliativas ou mesmo programas eleitorais. As pessoas merecem uma Segurança Pública de qualidade.

 

(*) Texto produzido pelo TC QOPM André Henrique de Deus Macedo (22 anos na gloriosa Polícia Militar).








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